Lá como cá: do calcio ao Cavaliere

Por Henrique Moretti

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Em menos de um mês na Itália nem é necessário fazer um grande giro pelo país para se acompanhar diversas manifestações (passando pelas áreas política, cultural, esportiva) que se assemelham às do Brasil.

Paixão nacional, o futebol chega a ser mais popular que no país verde e amarelo e domina o noticiário esportivo de forma impressionante - de quase 30 edições do jornal Gazzetta dello Sport que pude ler, apenas uma não trazia o tema como matéria de capa, e sim o Mundial de natação de Roma, com as medalhistas de ouro Federica Pellegrini e Alessia Filippi. No começo de julho, inclusive, presenciei um grande protesto organizado pela torcida do Bologna que reuniu mais de mil torcedores na Piazza Maggiore, a maior praça da cidade; a torcida rossoblù, que reclamava contra a falta de contratações por parte da diretoria, conseguiu o que queria pouco mais de um mês depois: Francesca Menarini, uma das poucas mulheres a presidir um clube de futebol italiano ao lado de Rosella Sensi, da Roma, acabou vendendo o clube para um milionário albanese Rezart Taçi - é verdade que o petroleiro pularia do barco e desistiria do negócio na última hora, mas a menção ao protesto segue válida.

A mesma praça, aliás, abrigou um belíssimo ato cultural durante todo o mês de julho. Com o chamado Cinema Sotto le Stelle (sob as estrelas), centenas de pessoas se reuniam todas as noites para acompanhar a exibição de filmes em um grande telão, montado como aquele que marcou a última Virada Cultural de São Paulo no Masp, porém maior. Ao final, foi apresentada uma grande variedade de películas, com westerns de Clint Eastwood intercalados a sucessos antigos e novos como E.T. e Gomorra.

Chamou-me a atenção, também, o grande número de muros pichados – na prática, quanto mais se vai ao sul italiano, mais se vê a presença do grafite. Ao contrário de São Paulo, porém, as marcações de terreno das gangues dão lugar muitas vezes a mensagens ideológicas, com símbolos do anarquismo (não é à toa o local de nascimento de Federico Malatesta) e mensagens comunistas.

O antigo regime russo também serviu de pano de fundo para uma passeata no centro de Florença, onde jovens pediam com gritos, faixas e cartazes que o mundo desse mais ouvido ao que tem acontecido no Irã de Mahmoud Ahmadinejad. Falando em mandatários, difícil acreditar que Silvio Berlusconi já esteja em seu terceiro mandato como primeiro-ministro da Itália ao menos quando se conversa com os cidadãos daqui: não achei nem mesmo um, seja jovem ou mais idoso, que admita ter votado no Cavaliere. No último mês, suas peripécias com prostitutas deram o que falar no país até que, cara de pau como só ele, Berlusconi veio a público para cravar: “Não sou santo e vocês já sabem. Faltam apenas aqueles do La Repubblica perceberem”. A referência, claro, vai para o maior jornal considerado de esquerda da Velha Bota.

One Response

  1. Thiago Peres Says:

    Bologna sete vezes campeão italiano!

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