Como salvar uma noite

por Diego Pires

astro

Há umas duas semanas, fui convidado para um aniversário  em uma certa casa noturna que fica na região da Alameda Franca, que por piedade minha não será nomeada aqui. A obsessão do segurança por ver as carteiras de identidade de todos que entravam no lugar já me causou uma impressão ruim. Isso é sempre sinal de que o estabelecimento atrai adolescentes com crise de identidade. Infelizmente, esses meus maus preságios sempre estão certos. Quando eu e minha amiga entramos no recinto, deparamos com um ambiente pseudo-punk, muito escuro e com um fedor desnecessário de gelo seco. O pior é que estava cheio de toda sorte de teenagers tentando ser algo que não são. Havia pseudo-rockstars, pseudo-sid vicious, pseudo-emos, pseudo-pin-ups, pseudo-tudo-que-você-pode-imaginar. A música era uma das coisas mais estranhas que já ouvi na vida. O ser que estava na cabine de DJ parece gostar de tocar canções com o tempo mais acelerado que o normal, o que resultava em um set que parecia ter sido tirado de um toca-fitas em fast-foward.

Enfim, era impossível ficar lá. Eu e minha amiga pegamos nossos pertences na chapelaria e fomos embora sem termos gastado nem meia hora naquela espelunca. Como não estavamos de carro e o metrô ainda ia demorar três horas para abrir, ficamos vagando pelo eixo jardins-consolação para ver se encontravamos algum lugar decente. Após muita caminhada, encontramos uma fila em frente à porta na Matia Aires. Nos aproximamos curiosos e descobrimos que era um bar chamado Astronete. Como não tinhamos nada a perder, decidimos entrar. Que lugar peculiar. A decoração era meio pub decadente,e o mais engraçado é que as paredes estavam cheias de pôsteres de pornô-chanchada. Após uma visita à chapelaria, nos dirigimos ao bar. Acho que a vez em que fui atendido mais rápido em toda a minha vida. Bom sinal. Descemos para a pista, que estava cheia mas não chegava a ser desconfortável. No começo, a música estava meio estranha, mas a partir das 3 da manhã uma DJ chamada Flávia tomou as rédeas da festa e aí a coisa ficou bem mais divertida. Dançamos até não aguentar mais e fechamos a noite nos reabastecendo na Bela Paulista.

Nesse dia aprendi que, em São Paulo, é sempre possível trasformar uma balada frustrada em uma noite muito divertida, é só ter disposição e curiosidade para descobrir lugares novos.

(Foto: Flickr:Kassá)

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