Por Thiago Peres
“Blue State” é um filme de 2007 escrito e dirigido por Marshall Lewy. Trata-se da história de um sujeito que deixou de lado trabalho e vida pessoal para mergulhar de cabeça nas eleições presidenciais de 2004 nos Estados Unidos. Naquele ano, George W. Bush tentava a reeleição contra o candidato democrata John Kerry, a quem John Logue (interpretado por Breckin Meyer), personagem principal do filme, apoiava.
Pouco antes do dia de votação, Logue faz um discurso em cima do balcão de um bar e é aplaudidíssimo por todos que ali estavam. É importante mencionar que também havia uma equipe de um telejornal local no estabelecimento, e que a cena foi ao ar. Mais importante ainda é a promessa feita naquele momento pelo jovem de 28 anos que, além de militar pela eleição de Kerry, mantinha um blog onde detonava Bush: “Se George W. Bush for reeleito, me mudo para o Canadá!”.
Bom, todos sabem quem foi o vencedor do pleito. E o mundo cai na cabeça de Logue quando se vê convencido de que Bush continuaria à frente do governo norte-americano por mais quatro anos – um ponto positivo do roteiro é que a decepção profunda do personagem com os eleitores de seu país não parece algo pueril. Seus amigos começam a perguntar quando ele vai para o Canadá, sempre em um tom de brincadeira misturado com uma perturbadora dose de seriedade. Ele diz que não vai a lugar algum.

No dia seguinte ao da divulgação do resultado final das eleições, Logue se dirige à empresa onde trabalhava. Pensa em retomar seu emprego, mas fica sabendo que o cliente para o qual prestava serviços havia se desligado da firma. Tenta também retomar o relacionamento com a antiga namorada – tinham dado um tempo durante a campanha –, mas descobre que ela está com outro cara.
Logue, então, resolve partir para o Canadá e coloca um anúncio buscando companhia para a viagem. Após curto período de entrevistas com interessados, escolhe a misteriosa Chloe Hamon (Anna Paquin) – omitindo, porém, um detalhe sobre seus objetivos na parada final que havia programado – e ambos partem rumo à cidade de Winnipeg. Essa primeira etapa do filme é breve. A partir daí, as experiências ao lado de Chloe fazem com que Logue reavalie a forma como entende a política e o próprio país onde nasceu, os Estados Unidos.
É interessante observar a relação visceral que o personagem principal tem com seu blog, “The Donkey Revolution”. Apesar de em alguns momentos perceber que as pessoas não prestam tanto atenção nele quanto gostaria, Logue acredita que esse meio de comunicação de fato pode ter efeitos políticos relevantes. E eu também acredito nisso.
Um grande número de informações sobre movimentos políticos organizados pela sociedade civil é disseminado por meio das mídias sociais. Muitas vezes, aliás, elas são o único caminho para a expressão de sua existência. No último semestre, por exemplo, caminhando pela avenida Paulista, recebi um flyer sobre o “Movimento Saia às Ruas”, que faz duras críticas ao ministro Gilmar Mendes, do STF, e pede sua saída do tribunal (http://saiagilmar.blogspot.com).
É claro que a web pode ser usada indevidamente, mas isso é outro assunto. Fiquemos hoje com o idealismo de John Logue. E com a boa notícia de que foi aprovada há pouco em Brasília, na Câmara dos Deputados, a livre expressão do pensamento na internet durante as campanhas eleitorais. A única exceção é que os debates na web terão que seguir as regras dedicadas a TVs e rádios.
(Foto Flickr: Broc Blegen)
One Response
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Diego Says:
Não conhecia esse filme, mas é sempre um prazer ver a srta. Paquin atuando. Deve ser muito interessante!


